PROJETO FLORA DA BAHIA

 
   

 

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Apresentação

     

     O Estado da Bahia possui uma área de 567.295,3 km², representando cerca de 6,6% do território brasileiro e aproximadamente 36,3% da região Nordestina. A Bahia possui uma boa representatividade de quase todos os ecossistemas existentes no Brasil, sendo na porção mais ao Leste principalmente, Mata Atlântica, Restingas, Mangues, Várzeas e Matas Mesófilas. Para o Oeste, o Semi-Árido ocupa mais de 50% do Estado e aqui, ocorre incluindo uma grande diversidade de tipos de Caatingas, as Lagoas Temporárias nas partes mais baixas, os Cerrados, diferentes tipos de Florestas (montanas, ciliares e mesófilas) e os Campos Rupestres. Os três últimos tipos vegetacionais geralmente ocorrem como enclaves no Bioma das Caatingas e geralmente associados à Chapada Diamantina. Bem a Oeste, há maior continuidade do Cerrado que se ligam com o Brasil Central, mas ocorre a permanência das Caatingas inclusive com as Dunas do São Francisco.

      Dos tipos de vegetação mencionados podem ser destacados a Mata Atlântica, Campos Rupestres e Caatingas.

     A Mata Atlântica do Leste da Bahia é considerada como importante centro de endemismo e alguns exemplos são os gêneros Harleyodendron, Arapatiella e Brodriguesia (Leguminosae) (Lewis 1987), Anomochloa, Alvimia, Criciuma, Eremocaulon, Sucrea, Diandrolyra e Eremitis (Gramineae) (Calderón & Soderstrom,1980; Renvoize, 1984; Clark, 1990; Judziewicz et al., 1999; Oliveira, 2001) Andreadoxa (Rutaceae) (Pirani, 1999). Alguns gêneros endêmicos da Bahia, tem predominância na mata atlântica como Zomicarpa (Araceae) e Hornschuchia (Annonaceae).

     Os Campos Rupestres que ocorrem nas partes mais altas da Chapada Diamantina destacam-se pelo grande número de novas espécies e endemismos, detectados em levantamentos florísticos mais amplos da região de Mucugê (Harley & Simmons, 1986), Pico das Almas (Stannard, 1995) e Catolés (Zappi et al. 2003). Entre os gêneros endêmicos da Bahia e restritos a essa região, destacam-se vários da família Asteraceae: Blanchetia, Bishopiella, Litothamnus e Santosia; além de vários gêneros que têm aí seu centro de diversidade, como Marcetia (Melastomataceae), Eriope (Lamiaceae), Agrianthus (Asteraceae), Chamaecrista e Calliandra (Leguminosae) (Souza 1999, Conceição et al., 2002; Giulietti & Pirani 1988).

     As Caatingas geralmente eram referidas como possuindo poucas espécies endêmicas. Porém Giulietti et al. (2002) apresentaram mais de 300 espécies endêmicas do bioma e os gêneros Mcvaughia (Malpighiaceae), Glischrothamnus (Molluginaceae), Rayleya (Sterculiaceae), Anamaria (Scrophulariaceae) e Stephanocereus (Cactaceae) são gêneros restritos às caatingas. O gênero monoespecífico Holoregmia (Martyniaceae) foi coletado e descrito em 1820 nos arredores de Jequié e só foi recoletado em 2001 (Harley et. al., 2003), mostrando o desconhecimento da flora do Estado.

      Com tal diversidade de ecossistemas e uma flora espetacular, a Bahia tem hoje apenas 1,64% da área do Estado conservada com proteção total, o que está muito abaixo da média do país. A estrutura de conservação do Estado apesar de relacionar cerca de 5% como área protegida, tal proteção é formada principalmente por APAs (37) as quais se associam 2 reservas biológicas, 3 estações ecológicas, 28 parques (nacionais, estaduais e municipais), 5 reservas ecológicas, 2 áreas de relevante interesse ecológico, 1 floresta nacional, 1 monumento natural, 1 refúgio da vida silvestre, 2 reservas extrativistas e 49 reservas particulares do patrimônio natural (www.sei.ba.gov.br). Apesar do grande número de áreas de proteção, grande parte delas foram criadas apenas por decreto, faltando regularização da situação fundiária, plano de manejo, pessoal especializado e fiscalização adequada.

     A diversidade de espécies vegetais na Bahia é extremamente alta, tendo sido estimada por Harley e Mayo (1980) cerca de 10.000 espécies de Angiospermas. Tal estimativa atualmente parece subestimada e um bom exemplo é a Flora do Pico das Almas (Stannard, 1995) com 1123 táxons de plantas vasculares, dos quais 105 táxons (9,3%) descritos como novos táxons. Assim uma estimativa atualizada sinalizaria para 12.000 espécies de Angiospermas para a Bahia. Esta rica flora despertou o interesse de muitos visitantes desde o século XIX com plantas coletadas por Karl von Martius, Maximilian von Wied Neuwied, Blanchet, F. Sellow e G. Gardner entre outros e usadas para a Flora Brasiliensis. Posteriormente, o interesse pela flora da Bahia foi demonstrados pelos estudos de Ule e Luetzelburg no início de 1900, mas só a partir de 1971, através da viagem exploratória realizada por Irwin e Colaboradores do New York Botanical Garden (NYBG) (Estados Unidos) e que contou com a participação de Raymond Harley do Royal Botanic Gardens de Kew (Inglaterra) foi reforçado o potencial da diversidade das plantas da Bahia. Visando uma futura Flora da Bahia, foram iniciados, através da parceria entre o Herbário do Centro de Pesquisas do Cacau (CEPEC), sob a coordenação de André Maurício de Carvalho e o Royal Botanic Gardens de Kew (RBGKew) (Inglaterra) coordenado por Raymond Harley, expedições para várias regiões do Estado em 1974, 1978 e 1980, tendo o material coletado servido de base para a lista preliminar para uma Flora da Bahia (Harley & Mayo 1980). Entre 1980 e 1982 trabalhou no CEPEC o botânico americano Scott Mori, que deu uma grande contribuição aos trabalhos desenvolvidos no herbário e realizou importantes coletas. A associação do herbário CEPEC com o New York Botanical Garden permanece até hoje, principalmente relacionado aos estudos da Mata Atlântica. Atualmente, o convênio é coordenado por André Amorim pelo lado brasileiro e por Wait Thomas pelo lado americano.

     Desde 1972 o Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo (IB-Botânica USP) realiza estudos de levantamento da Flora da Serra do Cipó, na Serra do Espinhaço em Minas Gerais, onde se destacam os campos rupestres em altitudes acima de 1.000m. Muitas famílias da flora já foram publicadas no Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo. A partir de 1980 esses estudos foram ampliados para incluir outras áreas de campos rupestres de Minas Gerais, principalmente Diamantina, Serra do Ambrósio (Pirani ????), Serra do Cabral e Grão Mogol (Pirani (ed.) 2003,2004).

     Devido o interesse das Instituições em ampliar os estudos para cobrir os campos rupestre da Cadeia do Espinhaço em Minas Gerais (Serra do Espinhaço) e Bahia (Chapada Diamantina), houve a associação do CEPEC, RBGKew, IB-Botânica USP, uma parceria que propiciou um grande número de coletas e o estudo das montanhas de Minas Gerais e as mais altas da Bahia, através dos Projetos Pico das Almas (Stannard, 1995), Catolés/Pico do Barbado (Zappi et al. 2003) e de Grão Mogol (Pirani et al. 2003).

     Esta ação evoluiu em 1994, para o projeto Chapada Diamantina (PCD) que agregou ao CEPEC, RBKew e USP as principais instituições de ensino e pesquisa do Estado da Bahia: Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísitca (IBGE), e a ONG Fundação Chapada Diamantina, sob a coordenação de Maria Lenise Guedes (UFBA). Além da formação de uma rede visando estudos da flora da Bahia, a parceria resultou na publicação da lista preliminar do Morro do Pai Inácio e da Chapadinha (Guedes & Orge 1998) e as Plantas Úteis da Chapada Diamantina (Funch et al. 2004).

     A continuação do PCD foi a elaboração do projeto Flora da Bahia e o seu desenvolvimento entre 1999 e 2001, com financiamento do CNPq/CAPES através do Programa Nordeste de Pesquisa e Pós-Graduação. A nova rede incluiu além dos integrantes do PCD, a Universidade Estadual da Bahia (UNEB), a Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e a Empresa Baiana de Desenvovimento Agrícola (EBDA),todas instituições da Bahia, a ONG Associação Plantas do Nordeste (APNE-Recife,Pe) e o New York Botanical Garden, sob a coordenação de Ana M. Giulietti (UEFS). O projeto tinha como objetivos principais a coleta em várias regiões do Estado visando um aumento no número de exsicatas depositadas nos herbários baianos, melhoria da capacidade instalada dos herbários e lista de espécies de algumas áreas de mata atlântica, restinga e campo rupestre. O desenvolvimento das pesquisas com a flora da Bahia foi um dos pontos mais importantes para a implantação do Programa de Pós-Graduação em Botânica da UEFS aos níveis de Mestrado (2000) e Doutorado (2002) com uma linha ligada a Flora da Bahia.

     Em continuidade ao projeto Flora da Bahia, foram aprovados os seguintes projetos associados: Flora da Bahia, como um subprojeto do Programa Plantas do Nordeste do CNPq/RBGKew/APNE (2001-2003); Estudos taxonômicos em grupos da flora da Bahia, através do Edital Universal (2001-2003), sob a coordenação de Ana M. Giulietti, que concentrou os seus esforços em coletas, e Flora da Bahia II (2003-2005), sob a coordenação de Tania R. Santos Silva, que tem como foco principal o início da publicação das monografias, por gêneros ou famílias, através da revista Sitientibus da UEFS.

     Pelo exposto convidamos os especialistas do país e do exterior a colaborarem na flora da Bahia.

Ana Maria Giulietti

Coordenadora do Projeto Flora da Bahia

 

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